Aos leitores...

"Para Pessoa, escrever um poema é reelaborar a emoção sentida em emoção intelectualizada e depois escrita. Um pouco como o trabalho do actor que representa e exprime intelectualmente emoções que não são as suas.

- Luís Lima Barreto acerca de Fernando Pessoa.

Um poema tem sempre três interpretações: a do escritor, a do leitor e o das palavras em si.

12/08/26

Intemporal

 "O Tempo perguntou ao Tempo
quanto tempo o Tempo tem?
O Tempo respondeu ao Tempo
que o Tempo tem quanto Tempo o tempo tem"

-
Eu sou o tempo
Sou dinheiro e talento
E palavras ditas no vento
Sempre atento ao lamento
Rápido e lento
No esplendor e ao relento
Senhor da minha sorte
Dono da minha própria morte
-

Mesmo assim só temos tempo para o que nos convém
sem olhar ao quê
Procurando o conforto, sem olhar a quem
Esteja ele vivo ou morto
Venha do físico, do além
Ou até mesmo de outrem

-
Eu sou o tempo
Sou dinheiro e talento
e palavras ditas no vento
Sempre atento ao lamento
Rápido e lento
No esplendor e ao relento
Senhor da minha sorte
Dono da minha própria morte
-

Homens fortes criam Tempos fáceis,
Tempos fáceis criam homens fracos
homens fracos criam Tempos difíceis,
e Tempos difíceis criam homens fortes
Até a própria Morte sonha com a morte do Tempo
Mas o Tempo é mais forte que a própria morte

-
Eu sou o tempo
Sou dinheiro e talento
E palavras ditas no vento
Sempre atento ao lamento
Rápido e lento
No esplendor e ao relento
Senhor da minha sorte
Dono da minha própria morte
-

Tão longe e tão perto
O meu destino é certo
Sou ódio e afecto
Tenho tanto de errado como tenho de correcto
Sou indomitável
e inevitável
Conta comigo para ser completo
Conta-me se sou contável 

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